REVISTANDO O PANTANAL o cervo-do-pantanal berrou água a onça-pintada urrou fumaça arara-azul grasnou homem jacu-de-barriga-castanha cantou a desolada aridez ariranha regougou aspereza anta assobiou labaredas jacaré rugiu fogo seca sucuri sibilou destruição lagarto gelou desmatamento capivara e o tamanduá sem forças não silvaram queimados Jose Couto IPÊS-ROSAS deus não esteve nas entrecascas amolecidas de seiva dos troncos sulcados das peúvas quando elas se incendiaram, no pantanal. o fogo não veio dos raios que as chuvas trazem. os homens fizeram o fogo para espantar os mosquitos. os homens fizeram o fogo para renovar os pastos. os homens fizeram o fogo para o seu agronegócio. para o seu agroenguiço. deus não esteve com as rosas senhoras florando, suas folhas caindo, compostas, oblongas, demoradas. nada havia entre elas, as ipês e a seneh do horeb, a tal acácia, em chamas, não consumida. não consumada. não era uma visão, um enteógeno, uma miração de moisés, uma revelação divina, u...
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