ACORDES Dedilhados em cordas vibráteis - nos lábios-fendas, a deslizar as dobras, dobrões - arrancam músicas selvagens: gemidos, sussurros composição melódica acorda homens e mulheres na fonte primeira Nas suas cifras de acordes, dispõe os dedos, as mãos - nessas casas-carnes - a pingar notas que descem pelas coxas e tocam o prepúcio em flor hirta A nota raiz encontra moradia alquímica de líquidos-sons-fragrâncias tônicas, diminutos... Em minutos... acordes aumentados, inflados, graves, vibrações flutuantes Corpo elétrico, espasmódico em gozo samba, blues, afroreggae Regue a boca, com o beijo encontre os sonetos de Neruda e siga até Aletenjo Retome esse coração em percussão as mão, os dedos, a língua, o cheiro ... teclas brancas, pretas lambidas, ressuscitam Mozart sinfonias dizem que a vida (não) tem conc(s)erto! Então cabe a púbis (rasuras, ranhuras) - artei...
PEDRA FILOSOFAL I Desvio Tinha no meio da pedra larva-poesia; não era obstrução: era um desvio para outros caminhos... II Homem- multidão No meio do caminho tinha o homem-povo: calhau nas mulheres ! lei do cão povo unido raiz do perigo III Pedra do Sono No meio do caminho... palavreando, eis a “pedra do sono”... A educação pela Pedra! Galos tecendo manhãs... aprendizagem cabralina IV Homem- pedra “Se essa rua, se essa rua fosse minha (...) eu mandava extirpar os vários homens que perseguem mulheres e seus livros V rocha-mãe pedras parideiras fertilidade, tradição ancestral geologia maternal pedra vulcânica já foi o fogo que se encontrou com a água, quatro elementos encenam sob a regência de Vulcano... respiro fertilização VI Pedra do túm...
"A poesia parece estar mais do lado da música e das artes plásticas e visuais do que da literatura. Ezra Pound acha que ela não pertence à literatura e Paulo Prado vai mais longe: declara que a literatura e a filosofia são as duas maiores inimigas da poesia. De fato, a poesia é um corpo estranho nas artes da palavra. É a menos consumida de todas as artes, embora pareça ser a mais praticada (muitas vezes, às escondidas). Uma das maiores raridades do mundo é o poeta que consegue viver só da sua arte. Há dois mil anos, o poeta latino Ovídio dizia que as folhas de louro (com as quais se faziam coroas para poetas e heróis) só serviam mesmo para temperar o assado. E como poderia ser diferente? Como encontrar um modo de remunerar o trabalho e o ofício de um poeta? Rilke ficou treze anos sem fazer um único poema; Valéry, vinte e cinco anos! Outros consumiram boa parte da vida escrevendo uma obra (sem exclusão de outras) : Dante, vinte anos para a Divina Comédia; Joyce, dezessete, para a...
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