UM POEMA DE SIDNEI OLÍVIO

 



PÓSTUMA ESTAÇÃO

 

 1.

nas linhas descontínuas da mão

a vidente mapeou ruas acidentadas.

o inverno se avizinha sob o equador

num presságio desesperançado

 

onde palavras penduradas

 no ponteiro do tempo

 

(esquecidas da sintaxe)

invadem o silêncio.

suspensa temporada de encontros

na sutil e fragmentada história de vida.

 

2.

mãos secas hesitantes do plantio

em solos estéreis.

custa semear sepulturas

(templos de solidão infinda)

 

onde o vento sussurra

momentos adiados.

vale enfim o cavado poço

onde o corpo que fenece

 

brota como aparente mensagem

da póstuma estação.

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