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QUATRO HAIKUS DE MARIA MARTA NARDI

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  ouço o som das ondas o fim do outono preso no pôr do sol   a noite muda de cor vaga-lumes rabiscam o céu   ano que começa primeiras visitas trazem velhas promessas   dia da Mulher de todas que trago em mim sou a única dona

UM POEMA DE MARLI FRÓES

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  CADERNO DE AREIA   A folha do tempo arrasta a poeira das horas   No ouvido da mulher um desagravo.   No ouvido do mundo silêncio se faz poesia   dedos do vento, escrita sôfrega,   texto fecundo dorme nas lanhuras da ferida,   brota quente no colo da mãe   vira samba de roda para a mulher dançar sua revolução   A folha do tempo tem sua própria música   semeadura e cura... nos interstícios de mistérios.

DOIS POEMAS DE LOURENÇA LOU

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  IMAGENS : varam nuvens vermelhas fecham-se em lágrimas de vidro, impedem o sono   aperto as pálpebras memória de guerras urbanas olhar desliza em sombras   calçadas cobertores traduzem miséria mortal na sutileza do silêncio   não preciso ver para crer em mutilação de corpos crenças ideias pés de crianças que vagueiam nas areias movediças do futuro   meus olhos andam medrados cansados escorregadios não demoram a derramar-se sobre meus seios.   ***   mistério no mimetismo das horas   arritmia no ciclo das cicatrizes   sonhos fraturados na memória dos assassínios:   cacofonias de colisões desequilíbrios da tarde   vida vira grito grave de resistência  

UM POEMA DE DIRCE CARNEIRO

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  NICHO Imaginação-fresta recolho-me nesse lugar fuga de um mundo caduco

UM POEMA DE CELSO VEGRO

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  HERANÇA   Mãos de prata apanham moedas de cobre, na margem do rio de ouro que sangra.   Quem herdará toda abundância... Esqueçam as ladainhas enquanto o tempo (brutal contagem) estiver gravado em pedra.    

QUATRO POEMAS DE SIDNEI OLÍVIO

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  MAQUINARIA   1 sentidos apurados na forja móvel do mundo   explodem num êxtase silencioso.   obsessivo desejo de se permitir diferente   que só aos bardos é dado ouvir   o crepitar dos versos em aço.   2 sonoro é o fogo em cada chama   um sussurro entre a palavra dura e o assombro.   não há como fugir da tensão entre os polos   fino efeito que não se quebra em fio.   3 a mudez da imagem   feito pergunta   (: o traço das cicatrizes?) viver é copiar o instante   com a delicadeza da borboleta sobre a flor.     FALTA UMA LETRA APENAS PARA DESVENDAR TEU NOME   Nenhuma resposta, apenas a imagem da cordilheira coberta de neve sobre o fundo azul impressionista, e a citação empírica do trajeto   da escalada: um branco típico na cabeça do Aconcágua, com destinos solitários e íntegra paisagem de pedras ...

QUATRO POEMAS DE NILTON CERQUEIRA

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  FAÇANHA DAS CINZAS   corredor polonês pavimenta passagem multitraçada em impasses   história repetida: pesadelo trágico disfarçado, à força, de farsa   de que matéria se faz o ralo por onde disseminam-se demasiados humanos sonhos?   fim da grande guerra contada como primeira sonhou-se, das cinzas, tripa de terra polonesa   história ampulheta de tempo em tempo, se inverte Hitler começou pelo corredor! sangue escorre estreito mortífera aventura   feito um fênix geométrico, geopolítico, gerado nas mesmas polonesas cinzas   renasce corredor agora humanitário reaberto ralo por onde escorre escória quase morta   trapos das trilhas armadas, em tropas homens mísseis lançados rumo ao alvo: refúgio   corredor polonês (registro infantil de dor!) se contrai mais e mais entre pés punhos projéteis pá de cinzas sobre paz defunta   ...