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DOIS POEMAS DE ANDREA MORAES

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  MULHER-MARAVILHA   Onde está ela, a mulher-maravilha? Encontrei-a na rua falando sozinha. Só via solidão, armas, estupros. Cansada de tanta lucidez, passou a comer sua própria fantasia.   BLASFÊMIA   Descansei, com resignação e exuberância na fecunda doçura das relações. Os prazeres, soltei-os das minhas mãos como alguém que desembrulha a velhice.   Apaguei luzes, encolhi espaços, as bocas sem maldade ou pecado; ativei perdões, alegrias e sucessos e desfiz, a ninguém, todo bem que pude   Que a realidade erga blasfêmias em sussurros e limpidez de presença e proximidade. No meu corpo, que sempre foi feliz, exibindo-me as explícitas erupções de bens que distribuí, com consciência Pelos ricos males que nunca fiz

QUATRO POEMAS DE JORGE AMÂNCIO

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   VERSO E REVERSO DO UNIVERSO     1 enviado por quem não é visto vem ao mundo sem esquecer  comprido cajado de chumbo o grande comedor de caracóis dono da coisa sagrada do corcunda e do albino o rei do pano branco faz as coisas serem brandas 16 pedaços de marfim  búzios pulseiras de estanho caracóis nozes de cola  ratos peixes limo da costa giz branco enfeita o corpo a barba embeleza a boca marido da mãe dos peixes Oxalufã é o maior de todos 2 rei cujos dias são dias de festas dono da lei assume o comando julga com tranquilidade apoia quem diz a verdade inutiliza completamente  o olho do malfeitor esfrega um saco de estopa como a bunda do malfeitor tira de quem não tem  dá a quem tem  com suas mãos compridas  retira o filho da armadilha  ouve de todos os lados paciente não se encoleriza  se tem o que comer nos dá de comer 3 dono de um pano todo branco de olhar alegre embriagado permanece no pátio do céu  como u...

DOIS POEMAS DE SIDNEI OLÍVIO

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  PEQUENO ENSAIO SOBRE A METRÓPOLE O dia termina repleto, indeciso.  Há um recomeço em cada lugar – espaços sem latitude e destinatários. Cruzo o asfalto apressado da marginal. Singular grafia estampada na mureta é filtrada pelo vidro do automóvel.  Algo como a percepção do óbvio, oculto no cotidiano silencioso das horas, a cismar o espetáculo do tempo. Perto da noite um cenário de sangue esparrama-se no mais fundo poente. (O silêncio se alastra sombrio nas emoções recolhidas de perfilados ritos.) Fecho meus olhos aos crimes da tarde. TRÓPICO DE CAPRICÓRNIO I. Dias trasladam assim secos e escurecidos. Vento entrando de viés pelas frestas da casa envolve cada espaço abraça os móveis  com seu frio. Espanto de tempo  que me veste em direção  ao fim da noite. II. A luz da manhã vem aos poucos enquanto a sombra  do planeta tropeça  sobre o avesso. Lume a mesa alva onde o papel espera o mundo que se abre desde o início  das palavras escondidas. (O ...

UM POEMA DE LOURENÇA LOU

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NAUFRÁGIO na busca dos sentidos lógica ética   vozes anulam-se em jogo de retóricas   escondo os escuros de minhas luzes águas rondam úteros olhos ouvidos  apossam-se de pés e cabelos em fúria   ruídos sangram verdes em meu corpo    pés redesenham-se raízes em ruínas   folhas dançam na força da enchente    meus sonhos são mar de arquipélagos   ilhas de desatino incitam tempestades  explodem febres e combates de rua naufrago no ventre da desumanidade.

DOIS POEMAS DE ANDREA MORAES

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  GESTOS Conservar  quadro, portão e vento, planta, vidro, madeira opaca e a quente, rubra solidez do pó no mundo do poema sujo e sem rigor. atiçar decadência, morte e ruína, sonho falso, sem aparição nem surpresa; esconder num mundo escuro o gesto límpido da mão sobre a mesa. BLASFÊMIA Descansei, com resignação e exuberância Na fecunda doçura das relações. Os prazeres, soltei-os das minhas mãos Como alguém que desembrulha a velhice. Apaguei luzes, encolhi espaços, As bocas sem maldade ou pecado; Ativei perdões, alegrias e sucessos E desfiz, a ninguém, todo bem que pude Que a realidade erga blasfêmias em sussurros E limpidez de presença e proximidade No meu corpo, que sempre foi feliz, Exibindo-me as explícitas erupções De bens que distribuí, com consciência Pelos ricos males que nunca fiz

HOMENAGEM À REVOLUÇÃO CUBANA E REPÚDIO AO BLOQUEIO DOS EUA!

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  O ÚLTIMO OLHAR DE CHE inabalável em seus propósitos para além do corpo caído inerte aquele olhar se eleva pujante   alcança as mais vívidas estrelas como nova e eterna morada da coragem sempre vibrante   busca paisagens de outras eras e retorna convicto da inspiração com o brilho certo e incessante   desanuviando os temores daqueles que têm a humanidade como pátria para seguirem sempre adiante. Sandro Silva    FIDEL    Para que serve o mundo Se pés descalços não tem   pão? Por que uns vivem tanto e bem Se outros morrem de inanição? Para que serve o mundo Se existem analfabetos e desnutrição? Para que serve a civilização : de um lado  explorados, de outro exploração? . Qual o destino do homem .no olhar famélico da precisão? . Para que serve a consciência: construir  o coletivo  ou resignação ? Para que serve o mundo de versos vazios, sem ação? ...